domingo, 30 de outubro de 2016

Pela democratização da cultura!

Quando falamos em cultura, nos vem à mente uma série de elementos como teatro, livros, festivais de dança, apresentações de orquestras, entre outros. Imaginamos que cultura seria sinônimo de refino e bom gosto e, portanto, não seria acessível a todos. Na realidade, todo ser humano possui, produz e consome cultura, porém, comumente, cultura se tornou um instrumento de diferenciação de classes, já que o acesso aos bens culturais valorizados pela sociedade, não são acessíveis às classes populares, aos trabalhadores.
Em vez de se criar meios para a produção, divulgação e consumo de uma cultura popular, acessível e que seja interessante às classes populares, as ações culturais são sempre elitistas e desconectadas da realidade da maior parcela da população. O planejamento dos governos locais raramente inclui uma política municipal de cultura. O setor cultural é visto como ações ou programas desarticulados (oficinas, exposições, festivais, etc.) e não é considerado constitutivo da vida das comunidades nem fundamental para o desenvolvimento social, cultural e a melhoria da qualidade de vida.
Para se estabelecer um trabalho mais abrangente, é preciso definir uma política municipal de cultura articulada com o desenvolvimento local e incluindo prioridades e estratégias no plano de governo. Ou seja, a cultura no município deve ter lugar não apenas na secretaria ou órgãos afins, nem deve se restringir às atividades culturais realizadas nos "templos" da cultura (casa de cultura, biblioteca, museu, etc.), mas deve transbordar para as casas, as ruas, o bairro, a escola, a igreja, a câmara de vereadores, as secretarias, as associações e sindicatos. O papel da cultura é instigar o cidadão a realizar sua cidadania e participar ativamente da dinâmica da cidade.
Política cultural é a ação do poder público ancorada em operações, princípios e procedimentos administrativos e orçamentários. Via de regra, estas ações dos governos municipais quase sempre tem sido pautada por uma preocupação em conservar o patrimônio cultural e oferecer atividades de artistas consagrados. Entretanto, esta política deve ser orientada para melhorar a qualidade de vida da população através de atividades culturais, artísticas, sociais e recreativas. Deve ser uma ação voltada para todo o município e não para alguns segmentos da sociedade. Ao buscar proporcionar à população o acesso aos bens culturais, há pouca preocupação com a democratização da cultura e diante disso, são promovidas atividades que valorizam, principalmente, os produtos da elite cultural.
O mercado de produção e consumo de bens e serviços culturais e o circuito de distribuição dos produtos culturais deve atender a todos os tipos de produtores e consumidores de bens culturais, simbólicos e materiais. A ênfase deste tipo de ação está na cultura ao alcance de todos. Num primeiro momento, isso pode ser conseguido com a realização de shows públicos, ingressos a preços mais baratos, espetáculos teatrais abertos ao público, facilidade de acesso aos equipamentos culturais e outras ações integradas.
Apesar de muito importantes, ações culturais desses tipos ainda são apenas um primeiro passo para se chegar à democracia cultural. A estratégia para essa democratização é a promoção de atividades culturais onde o público seja participante ativo, dinamizando a cultura local a partir de suas referências, sem desconsiderar a arte chamada "erudita". O mais importante deixa de ser o acesso aos bens culturais e passa a ser a participação popular na criação e nos processos culturais. (Ney Góes)

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