quinta-feira, 20 de novembro de 2008


Uma canção sem despedidas

Eu queria fazer morada no seu pensamento...
Ser parte do seu dia-a-dia...
Viver a espera da consciência no seu sono...
E saber a hora do seu despertar!

Eu queria morar nas meninas dos seus olhos...
E ver as coisas que você vê...
Sentir o mundo mais bonito...
Existindo dentro de você!

Eu queria nascer na sua tristeza...
E viver da sua alegria!
Dar de mim o pouco que sou...
Perpetuar seu sorriso...
Fitar sem relógio a beleza dos seus lábios!

Eu queria navegar em suas veias...
Sentir a maré das suas pulsações...
De repente entrar num vácuo...
E conhecer a maravilha da sua alma!

Eu queria colocar-me como oferenda...
Arrancar de mim meu momento mais feliz...
E trocar com você pelo seu instante mais triste!
Eu quero na minha morte... você sem luto...
Cantando uma canção sem despedidas...
(Ney Góes)

quinta-feira, 4 de setembro de 2008


Canto de desalento


Quero que esse meu canto...
Cubra com negro espanto...
Quem me chama de demente...
Toda essa gente, tão inocente...
Que ao calar-se, consente!

Ah, América Latina...
Vitima do imperialismo...
Obrigada a engolir com asco...
Esse vil capitalismo!
Miséria, exclusão e demagogia...
Tio Sam lá de cima...
Chama a isso democracia!

E o Brasil de Caminha?
Caminha... pra trás!
Nas mãos dos neoliberais, irracionais...
Ou da esquerda corrupta, tanto faz!

Pátria? Inexistente...
Quem diz o contrário, mente...
Dia-a-dia recebemos...
O nada que por ela fazemos!

No silêncio do meu quarto...
O encontro com a consciência...
Sinto o espírito morto...
Diante dessa impotência!
Sabendo que esse meu grito...
Vai se perder no infinito...
Não será sequer ouvido...
Pois já nasceu esquecido!
(Ney Góes)