sábado, 6 de novembro de 2010


Espere, eu vou contigo!


Este teu corpo frio e sem vida repousa...
Inerte e pálido, sob estas flores brancas.
O local está repleto de amigos...
Parentes e curiosos...
Que vieram dar-te o último adeus.

Alheio à multidão...
Que insiste em perguntar...
Por quê partiste tão jovem?
Só encontro o silêncio e o vazio...
Concentro-me neles e me pego a chorar.

Quero tocar-te...
Mas não sinto mais o teu calor e o teu suor
Vejo teus lábios sem cor... sem sabor...
E a lembrança do beijo ardente...

Teus olhos, cor de mel...
O brilho ofuscado, apagado, destruído...
Quantas vezes eles falaram por ti...
Disseram que me amavas...
E que me querias teu, sempre teu.

Relembro teu sorriso...
Sincero e bonito gostoso de ver...
A cumplicidade presente...
Maroto, às vezes sacana...
Me dizendo... "É... vem cá, vai!"

Teus braços cruzados me lembram o abraço...
O contato, a força...
Quando tuas mãos tocavam as minhas...
O laço, a união, o momento marcante...

Tua voz calou-se...
Doce, amiga, cantada...
Teu suspiro também...
Meigo, próximo e provocante...
Assim com teus gemidos...

Percebo os movimentos em volta...
Volto ao presente...
Vejo que querem te levar para longe de mim...
Te cobrir, te prender...
Pra nunca mais eu te ver.

Machucado está meu coração...
E o grito da garganta não sai...
Tua descida à sepultura é dura demais para mim...
Espere, eu vou contigo...
Só me digas... “É...vem cá, vai!”
(Ney Góes)